Hoje não poderia escrever meu tema
da semana de um lugar mais apropriado! Estou sentado na poltrona de um avião
que não pode decolar, pois a torre do aeroporto de Goiânia não consegue se
comunicar com o controle aéreo. O piloto está indignado, disse que isso é um
absurdo! Com esse aperitivo na entrada sigo com o tema de hoje:
aeroportos. Nessa última semana, passei algum tempo voando e passei por alguns
dos nossos aeroportos, entre eles os de Curitiba, Campinas, Belo
Horizonte, Vitória e Goiânia. Para descrever a experiência de entrar em um
aeroporto como o de Vitória ou o de Goiânia, os adjetivos seriam os que cito a
seguir: pequeno, enjambrado, arcaico, desconfortável, abafado, precário, local
onde os princípios da arquitetura foram simplesmente ignorados, com banheiros
horríveis e poltronas desconfortáveis, salas de embarque e desembarque
insuficientes e pessoas apinhadas como bois a caminho do abate nas filas
de check-in. Com relação aos outros aeroportos visitados por mim, só retiraria
o adjetivo "pequeno" e diria que sim, existe algo de
projeto na sua concepção, mas que ainda assim são motivo de vergonha e que não se
comparam a aeroportos de cidades muito menores em países como os EUA, Alemanha,
China e Japão, isso pra não falar do México! MÉXICO? Isso mesmo México, o
aeroporto internacional da cidade do México, faz o nosso grande Aeroporto
Internacional de Guarulhos parecer o cocô do cavalo do bandido! É funcional,
bonito, amplo, tem banheiros limpos e bem distribuídos, lojas e alimentação de
qualidade, um aeroporto o qual vale a pena conhecer. Aproveite que você está na
internet e procure imagens pra comparar... Só não vale chorar, viu?
Não posso deixar de citar minha querida Curitiba cujo aeroporto - feito há poucos anos - deveria estar preparado para receber o aumento da demanda de vôos, correto? Que nada! Nesta semana, atingiu o seu limite de operação. Esse aeroporto é um caso a ser discutido à parte: um saguão gigantesco, várias lojas que ninguém vai e poucos querem (várias estão fechadas) e tudo isso pra seis fingers (pontes de ligação com as aeronaves). Enquanto isso, esteiras para malas somente três, {até que enfim, após quarenta minutos de espera vamos decolar, pronto, decolei e agora estou em pleno vôo para Curitiba}, continuando, estamos falando de Curitiba, cidade modelo e blá blá blá. Comparo o aeroporto de Curitiba com outro que conheci ano passado, o de Milwaukee nos Estados Unidos, cidade com pouco mais de um milhão de habitantes. Esse aeroporto foi construído e é mantido pela própria cidade, tem três vezes mais fingers que o de Curitiba, lojas e restaurantes em número adequado para o fluxo de passageiros, uma esteira de bagagens para cada finger - pequenas, porém bem projetadas e que atendem rapidamente a necessidade: pegue sua mala e vá, nada dessa coisa de juntar gente na saída pra receber as pessoas. Aliás, esse costume é de um tempo em que voar era luxo, daí juntava a família toda para esperar quem estava chegando! O aeroporto é extremamente limpo e eficiente, anda-se pouco para ir de um lugar a outro e tem uma capacidade infinitamente maior que a do aeroporto de Curitiba, o qual parece ter sido feito pra empreiteiro ganhar dinheiro. Muito prédio pra pouco conteúdo!
Depois desse desabafo de usuário do sistema, vamos ao ponto em questão. Sexta economia do mundo, com infra-estrutura de uma República das Bananas. Vamos passar vergonha recebendo a Copa do Mundo e as Olimpíadas! Vamos fazer o de sempre neste país, deixar para a última hora, para que o roubo e o desvio de verbas seja camuflado pela emergência das obras. E mais, vamos fazer remendos e enjambres que fatalmente serão percebidos com o tempo. Mal acabada e de baixa qualidade, a construção vai necessitar de mais dinheiro para se reformar a reforma. E assim vamos vivendo, nesta constante turbulência, onde o governo finge que somos primeiro mundo, nós fingimos que acreditamos e o tempo passa e o tempo voa. Agora resolveram privatizar três aeroportos, vamos ver no que dá! Não estou botando muita fé nessas privatizações, estão com jeito de manobra para gerar superávit no final de 2012, 24,53 bilhões pelos aeroportos velhos de Brasília, São Paulo e Viracopos, 347% a mais que o valor mínimo estipulado pelo governo, e tudo dinheiro de fora, nenhuma grana direto do Brasil. o Mantega disse que não usará o dinheiro para manter o superávit, hahaha, mas tanto já foi dito e desdito por esse governo, que nos cabe ficarmos atentos para não sermos enrolados pelos lindos números apresentados perto do Natal. Quem acredita em Papai Noel são as crianças, elas tem o direito à ilusão e à fantasia. Nós não! Então todos de olhos bem abertos!
Uma ótima semana e boa sorte no seu próximo vôo!